Disfagia e a Ceia de Natal

Uma mensagem para si, que passa o Natal limitado ou inibido de se alimentar por via oral


Uma mensagem para si, cujo ente-querido passa o Natal limitado ou inibido de se alimentar por via oral


A disfagia, trocado por miúdos – alteração da deglutição, tem um grande impacto não só para a pessoa portadora da condição como também para as pessoas do seu círculo íntimo. Quando se aproxima o Natal, já sei que utentes e familiares vão precisar um pouco mais do meu tempo e ajuda para pensar alguns aspectos sobre como (sobre)viver estas limitações numa época tão dada à reunião em torno da gastronomia própria da estação.

Não é fácil, mas é possível contornar as situações em prol de quem vive as limitações que, afinal, são sinal/ sintoma ou efeito secundário de algo que comporta uma preocupação de saúde ainda maior para si e para os seus. Hoje, quero partilhar convosco algumas sugestões (muito pela rama) sobre como conviver com esta fase. Não é fácil falar disto nem me proponho a dar-vos soluções mágicas nem instantâneas, como é óbvio, considerando que falamos e emoções e sentimentos de todos.

Estas são as palavras de ordem:

Atenção

Oportunidade

Flexibilidade

Adaptação


Precisamos – todos os envolvidos – de ter atenção ao outro e às suas necessidades, aproveitar as janelas de oportunidade para demonstrar essa atenção e operacionalizar as questões práticas da alimentação, mostrar vontade e flexibilidade para conseguir adaptar o que seja… adaptável.

Traduzindo…

A quem tem um ente-querido com disfagia, sugiro que se iniba de fazer comentários enaltecendo as filhós ou o bacalhau. Em alternativa, pode comentar a oportunidade para estarem todos juntos e como isso é o centro do evento.

Imaginemos que o seu ente-querido tem uma disfagia parcial, em que pode ingerir oralmente alimentos pastosos com segurança. Sugiro que decidam trocar o bacalhau com todos por um empadão de legumes com um peixe macio e não-fibroso. Se gosta desta ideia, fale comigo, dar-lhe-ei uma receita inesquecível para um empadão colorido e, acima de tudo, seguro para o seu ente-querido com disfagia.


No entanto, se o seu ente-querido tem uma disfagia total e está absolutamente inibido de quaisquer ingestões por via oral, sugiro que a flexibilidade esteja em vós, à mesa. Esqueçam os comentários à comida, sirvam-se e conversem sobre os vossos assuntos e, se possível, encontrem um lugar no riso.


Dependendo da situação (e da fase que vive), o seu ente-querido pode inclusive querer abster-se de se sentar convosco à mesa. Não há receitas únicas sobre como lidar com esta situação que tanto magoa a todos. Há que conversar e perceber se é importante, ou não, impôr a “mesa” ou, pelo contrário, ajudar a pessoa a entrentá-la, uma vez que faz parte da nossa sociedade e há um percurso percorrido em que começa a fazer sentido dar mais importância ao facto de estar sentado com os seus ente-queridos à mesa do que ao facto de não se estar a alimentar como eles – esta mensagem é para si, para a pessoa com disfagia.


Não temos de fazer uma mesa redonda à volta destas situações e passar o tempo a falá-las e a esmiuçá-las. Pelo contrário, há alturas em que nem devem estar na ordem do dia. Porém, importa que algumas coisas estejam claras para todos. Como em tudo, ter atenção às necessidades do outro é meio-caminho andado para que os momentos de convívio não fiquem comprometidos com mágoas mútuas. Aproveitar a oportunidade para nos inibirmos de enaltecer a gastronomia e virar o foco para o momento de união pode ser o caminho para que alguém se sinta mais parte da mesa onde se senta. Estar preparado para alterar uma ementa é aquele gesto que pode fazer a diferença e distrair a pessoa das suas limitações.


Queria apenas alertar-vos para as dificuldades deste processo tão difícil para todos, e como há formas de se lidar com ele sem tanto prejuízo para sentimentos e relações - é muito importante que não nos desviemos disto.


Independentemente de credos e convicções, para quem celebra esta época como uma oportunidade de reunião, a disfagia pode comportar um factor de stress e ansiedade por antecipação. Se vive uma situação parecida, estou disponível para conversar consigo de forma mais direcionada e personalizada. Disponha dos nossos contactos.


Com desejos de um Natal pleno de conexão ;)


Tenha origem neurológica (por ex, AVC) ou mecânica (por ex, cancro de Cabeça e Pescoço), temos experiência de duas décadas nesta área. Se tem dúvidas, procure-nos para uma conversa com um dos nossos terapeutas da fala 📧 bemditaterapia@gmail.com ☎️ 239 069 906 ou 📲 96 78 77 063

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Saudações terapêuticas,

Sandra Cruz

terapeuta da fala, Bem Dita Terapia, Coimbra

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